Para a mídia brasileira, as mulheres podem ser tudo, menos Melanias e Marcelas

Jornais, quando não afirmam, fazem insinuações maldosas e preconceituosas contra Melania Trump, esposa do novo presidente dos EUA

09 de Novembro de 2016

Confesso, caro leitor, que não foi sem uma dose exacerbada de coragem e um vidro de Estomazil ao lado que li os jornais de hoje sobre a vitória do candidato do Partido Republicano, Donald Trump, à presidência dos Estados Unidos. Conhecendo a mídia brasileira como conheço, estava preparada para o pior, o abjeto, o indefensável. No entanto, esse pessoal tem o poder de me surpreender. A coisa toda foi bem mais vil, maldosa e deplorável, para usar uma palavra que a Hillary gosta, do que eu imaginava.

Não vou nem comentar o tom cretino das reportagens sobre Trump. Todas as matérias que li a respeito de Melania Trump eram de viés ácido, beirando à inveja histérica. A moça é linda, bilionária e vive em função do filho e da família. Características imperdoáveis para os recalcados das redações do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foram buscar podres no passado dela e lhe atribuíram todo tipo de condutas reprováveis, más intenções e defeitos. Debocharam do fato de ela ter sido uma modelo sem muito sucesso, insinuaram que ela se casou com Trump por dinheiro, disseram que ela se manteve mais ausente na campanha porque era inexperiente e estúpida, chamaram-na de fútil, porque, ó Deus, o Instagram dela tinha fotos com roupas chiques, viagens e atividades do dia a dia, como ir ao Spa (como ela se atreve?), divulgaram que ela posou nua e que a primeira-dama de fato era a ex-mulher de Trump, Ivana, cujas opiniões ele leva em consideração. Afirmaram com todas as letras que Melania era um troféu, uma mulher bonita que Trump carrega para mostrar que é um cara bem sucedido em todos os quesitos.

Pois bem. Essa postura não é novidade em Banânia. Eles fizeram o mesmo com Marcela, a esposa de Michel Temer. Parece que tomaram gosto pela coisa. Interessante como essa gente que acusa Trump de ser machista, escreve textos tão ofensivos e amargos contra uma mulher que eles nem conhecem, que ficou apagada durante toda a eleição. Se os tempos do jornalismo fossem outros, diria que em vez de tinta, as palavras foram escritas com veneno. Quanto ódio e preconceito... E esses ícones da imprensa são os primeiros a baterem palma para Marcha das Vadias, para universitárias enfiando imagens sacras em suas partes íntimas ou para mulheres feias arregimentando alunos contra qualquer coisa que não seja esquerdista o suficiente. Se uma mulher resolve sair na rua nua contra qualquer coisa, vira símbolo. Se a Melania faz o que os jornalistas do Brasil estimulam: levar-se pela lei do “Meu corpo, minhas regras”, eles condenam. Vou deixar de lado a hipocrisia de toda essa situação. No fundo, tenho pena desse pessoal. Deve ser muito triste acordar de manhã, olhar no espelho e ver que existe gente mais bonita, bem sucedida e poderosa que eles. Como os invejosos que são, preferem transformar sua amargura em pedras e atirá-las no vizinho. É bem mais cômodo do que reconhecer que eles são aquilo mesmo que pensam que são: simplesmente patéticos.

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