Feminismo seletivo

Na sessão de ontem da Comissão Especial do Impeachment no Senado, a advogada e autora do impeachment Janaína Paschoal sofreu os ataques mais covardes de parlamentares governistas

29 de Abril de 2016

De todas as correntes do movimento revolucionário, o feminismo é uma das mais abjetas. Ele é baseado na dinâmica marxista da luta de classes, que coloca em polos opostos homens e mulheres, pobres e ricos, negros e brancos, heteros e homos, ad infinitum. A advogada, professora e uma das denunciantes do impeachment da presidente da República, Janaína Paschoal, foi muito perspicaz ao afirmar ontem à noite que quem incita o ódio é quem promove a divisão dos brasileiros para enfraquecer e que ela estava lá para unir e, portanto, fortalecer a nação.

Janaína apresentou muito bem a denúncia que fez em parceria com Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Por isso mesmo, senadores do PT, PCdoB e do PDT, na ausência de argumentos para defender o indefensável, lançaram mão das estratégias mais torpes de intimidação, acusação e ofensa contra a advogada. Mesmo para os padrões petistas e os de suas linhas auxiliares, aquilo foi um novo nível de baixaria. O mais surpreendente é que todos aqueles que protagonizaram esse papel lamentável arrogam para si o direito de representar as mulheres.

Ontem, a palavra seletiva foi muito invocada pela base aliada do governo para colocar em dúvida o caráter da denunciante. Não é de se estranhar, já que de seleção essa gente entende bem. Afinal, para eles somente algumas ditaduras prestam. Somente alguns grupos prestam. Somente algumas narrativas prestam. Somente algumas ideologias prestam e, vejam só que coincidência, sempre é a deles. Para a esquerda, as mulheres que comungam das suas ideias são as únicas que merecem direito à defesa, ao crédito e ao respeito. Por isso, o feminismo não me desce. Não consigo ver o mundo entre uma eterna disputa de nós contra eles. A Janaína não merecia respeito só por ser mulher. Ela merecia respeito por ser convidada do Senado, por representar a vontade de 90% da população e por ser uma pessoa que estava apenas fazendo o que achava certo, e, o mais impressionante, sem ter cometido nenhum crime para isso.

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