CNBB: a linha auxiliar do PT na Igreja Católica

Grupo religioso divulga nota analfabeta sobre a PEC 241

01 de Novembro de 2016

Pasmem. É mais comum do que se imagina ver religiosos defendendo ideologias esquerdistas. Quem dera fossem somente os católicos. No entanto, como eu sou católica, vou deixar o vizinho cuidar do seu próprio quintal e tratarei do meu. Causa-me um profundo asco ver uma instituição supostamente católica defender as pautas de um partido cuja ideologia foi responsável pelo massacre de milhares de religiosos mundo afora.

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sempre ela!, divulgou recentemente uma nota se posicionando contra a Proposta de Emenda à Constituição 241, que prevê o teto dos gastos públicos. Não é a primeira vez que a CNBB se mete onde não deveria. Para os católicos, Jesus é o caminho, a verdade e a vida. A fonte de inspiração e o modelo a ser seguido. Obviamente, como seres terrenos e imperfeitos, estamos suscetíveis a falhas e ao erro, mas o padrão é claro. Fico cá eu, caro leitor, contando com a misericórdia divina caso esteja incorrendo em blasfêmia, imaginando Jesus, que era o logos, a fonte de toda sabedoria e conhecimento divinos, discutindo com os romanos questões de administração pública, como aplicar os impostos ou quais as áreas deveriam ou não receber o maior quinhão de verba. É impossível, porque ele nunca deu valor a isso. Ele se preocupava sim com a penúria dos mais pobres, mas deixou claro que o reino dele não era deste mundo e que cabia ao ser humano cuidar dos mais necessitados, exercitando assim a maior de suas lições: o amor ao próximo.

Obviamente, a CNBB acha que isso é pouco. Seus membros não se contentam em cuidar das almas imortais, como os pastores que deveriam ser, eles também querem, ora vejam, ditar regras sobre como o governo deve conduzir a economia, o déficit primário, a dívida pública, a inflação e os juros. Não sabia que os seminários ofereciam um leque tão grande de aptidões intelectuais. Pelo visto não, dado o analfabetismo demonstrado pelos bispos ao criticar um assunto do qual eles claramente não entendem, usando os mesmos clichês e lugares-comuns dos militantes a soldo de partidos e sindicatos.

Segundo a nota, “a PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.” Taxar grandes fortunas? É pra rir, certo? Qualquer animal com polegares opositores sabe que isso gera fuga de investimentos, quebra de empresas e desemprego. Não vou nem me dar ao trabalho de desconstruir outras barbaridades como essa. O texto continua, publicarei a íntegra no final.

Ainda durante a nota, a CNBB evoca uma fala de São Crisóstomo e trechos da Doutrina Social da Igreja para passar a impressão de que o que está fazendo é certo. Eu fico com as palavras de Jesus: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12, 17), ou ainda o versículo 13 de Lucas, 12: “Disse-lhe então alguém do meio do povo: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?”. Se nem Jesus achava que devia ficar opinando e julgando questões até menores, imagina algo do impacto de uma PEC?

O fato é que os católicos que discordam dos disparates dos bispos não precisam se preocupar. A CNBB segue sendo um sindicato de militantes de batina sem representação nenhuma nem na sociedade nem no Vaticano. Mas seria extremamente válido se o papa soubesse o que seus bispos andam fazendo no cenário político brasileiro. Que tal, hein, CNBB, tirar a poeira da Bíblia e parar de repetir as bobagens d “O Capital”? Mais Jesus, nenhum Marx, por favor.

Nota da CNBB:

“Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.”

(São João Crisóstomo, século IV)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.

Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado?

A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.

A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349).

A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.

É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.

A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!

Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ

Arcebispo de São Salvador da Bahia

Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário-Geral da CNBB”

Veja também

Foco nas eleições

Desta vez, o candidato Eugênio Vilela, do Partido Progressista, é o entrevistado do Formiga Online

Viver da fé

Hebert Viana critica governo Temer durante show em festival custeado pela Lei Rouanet

Vida ingrata

Dilma Rousseff terá de recorrer a voos comerciais se quiser viajar pelo país; atraso na liberação de crédito do cartão alimentação da presidente afastada gera revolta entre petistas

Economia já

Anualmente, Prefeitura Municipal de Formiga gasta R$800 mil com aluguel

Turma do contra

Presidente interino, Michel Temer/PMDB, mal assumiu, mas as viúvas do PT já começaram a atravancar o caminho

Chicana política

Presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão/PP, anula tramitação do processo de impeachment, mas presidente do Senado, Renan Calheiros/PMDB, rejeita decisão

Parceiros