Vida ingrata

Dilma Rousseff terá de recorrer a voos comerciais se quiser viajar pelo país; atraso na liberação de crédito do cartão alimentação da presidente afastada gera revolta entre petistas

07 de Junho de 2016

Você aí, caro leitor, que está trocando frango por ovo ou adiou para o ano que vem as desejadas férias no litoral capixaba porque o salário não é mais suficiente vai, acredito eu, se alegrar com a notícia de que a responsável por tudo isso está literalmente pagando pelo que fez. Obviamente, está longe de ser o justo, dado o estrago que Dilma Rousseff causou, mas já é alguma coisa.

A vida boa que a petista tem desde que foi eleita, às custas de todos nós, sofreu um baque considerável nesses últimos dias. O atual governo proibiu que Dilma utilizasse aviões da Força Aérea Brasileira para voos fora do eixo Brasília - Porto Alegre, onde residem os parentes dela.

A justificativa para o veto ao uso da aeronave é que Dilma não tem compromissos oficiais e o transporte aéreo é destinado apenas a atos oficiais. “A regra a que se impõe a todo gestor de recursos públicos é a do reconhecimento de que todo e qualquer ato do poder público deve se dar em conformidade com os ditames constitucionais, em especial aqueles relativos aos princípios que norteiam a atividade administrativa, a saber, a legalidade, a razoabilidade, o interesse público, a transparência, a economicidade e a moralidade”, diz o parecer.

A petista reagiu indignada. “Eu não posso, como qualquer outra pessoa, pegar um avião (comercial). Tem de ter todo um esquema garantindo a minha segurança, pela Constituição”, disse a presidente afastada, que garantiu que irá viajar mesmo assim. “É um escândalo que eu não possa viajar para o Rio, para o Pará, para o Ceará… Isso é grave”, emendou a petista. Muito me espanta ela negar veementemente a possibilidade de sentar ao lado das pessoas que ela afirma que só podem usufruir desse conforto graças ao partido dela. Tenho a mais fiel certeza que eles a receberão de braços abertos. Afinal, o PT faz para os pobres, não é?

Só a titulo de comparação, o presidente da Argentina, Maurício Macri, utiliza o transporte aéreo comercial e vendeu os aviões de grande porte da presidência. Ele sabe que utilizar um avião oficial custa caro e a Argentina não se encontra em uma situação econômica melhor que a nossa, já que o kirschnerismo e o petismo bebem da mesma água quando o assunto é economia. Ciente disso, Macri demonstra respeito pelo povo argentino economizando milhares de pesos ao optar pelo voo comercial e aumentando o caixa do governo com a venda dos aviões oficiais. Outro político importante que não vê problemas em viajar na classe econômica e dividir o mesmo ambiente com o proletariado é o primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron. Na internet, é fácil encontrar fotos deles com vários passageiros. Macri é liberal, Cameron é conservador e Dilma é esquerdista. Tire suas conclusões.

A afastada passou também alguns dias com o cartão de suprimentos sem saldo. Conforme dados do Palácio do Planalto, Rousseff gastou de janeiro a maio deste ano aproximadamente R$ 280 mil com despesas de alimentação em seu cartão corporativo, uma média de R$ 62 mil mensais (R$ 2,06 mil ao dia). Somente nos primeiros 18 dias de afastamento (13 a 31 de maio), o valor foi de R$ 54 mil (R$ 3 mil por dia) com alimentação.

Como é impossível não fazer associações, temos o caso da chanceler alemã Angela Merkel, que é vista continuamente em supermercados sempre sozinha fazendo compras. Até mesmo o presidente americano, Barack Obama, companheiro ideológico da futura ex presidente, tem a decência de pagar suas contas com o salário que recebe. Segundo assessores, a petista ficou furibunda com o corte do ‘cartão alimentação’ e criticou a equipe de Temer pela ‘mesquinharia’.

Não foi só a Dilma que ficou indignada com tais ações. Muitos companheiros de legenda e simpatizantes fizeram coro ao choro e manifestaram seu repúdio nas redes sociais. É compreensível, afinal, onde já se viu obrigar uma pessoa que recebe R$ 31 mil por mês a pagar suas próprias refeições? Absurdo. Com a inflação pela hora da morte, é imprescindível o bom e velho vale alimentação. Imagina a gerentona ter de, Deus a livre, economizar no supermercado? Trocar filé mignon por salsicha? Brioches por pão de sal? Chocolate suíço por Garoto? Não, não, não. É demais. Até o Lula concorda. Quando soube da desventura alimentícia de sua pupila, afirmou horrorizado: “amanhã vamos comer marmitex”. Não podemos deixar isso acontecer. Ou melhor, os petistas não podem. Marmitex? Seria a máxima expressão da indignidade ver a guerreira do povo brasileiro tendo de se submeter a tamanha tortura. Liguem para a Sabatella, acionem o José de Abreu, chamem o Marcelo Odebrecht. Não é à toa que a coitada está tão magrinha.

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