O efeito Bolsonaro

Candidato à presidência em 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro/PSC gera polêmica ao citar Ustra em voto

29 de Abril de 2016

Não pretendia falar disso, mas diante do massacre midiático e no Congresso que o deputado federal Jair Bolsonaro está enfrentando resolvi tecer algumas considerações a respeito da última polêmica em que ele se meteu, afinal estamos em uma democracia e o direito ao contraditório deve existir para todos, não só para Dilma Rousseff. Já é público e notório o desejo que o parlamentar tem de chegar ao Planalto. Poucas pessoas no país conhecem o trabalho dele e as causas que defende. Quando ele consegue algum espaço na mídia, sempre é para ser distorcido e atacado. Mesmo entre os veículos ditos conservadores, ele é visto através do véu do preconceito que a esquerda colou nele.

Ontem, na sessão da Comissão Especial do Impeachment, alguns parlamentares e até o denunciante Miguel Reale Júnior externaram sua insatisfação com a fala de Bolsonaro durante a votação da admissibilidade do impeachment, na Câmara dos Deputados. Jair manifestou apoio ao falecido coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra nos 10 segundos de defesa do seu voto. O fato é que todos os eventos relacionados com tortura, desaparecimento e morte durante a Ditadura Militar são muito nebulosos. E o país não está maduro para iniciar essa discussão. A única narrativa aceita é a da esquerda. Qualquer informação que coloque em suspeição o roteiro consagrado pelos comunistas vira objeto de ódio e de escárnio. O que se sabe é que não há nenhuma prova das torturas cometidas pelos militares, além das testemunhais; a maioria das mortes ocorreu em confronto (quando não eram os próprios comunistas que queimavam arquivo e colocavam a culpa no outro lado) e muitos guerrilheiros trocavam de identidade, por isso eles eram dados como desaparecidos. Vários ex-comunistas afirmam que eram orientados pelo comando a dizer que sofreram tortura. Outros tantos foram treinados em Cuba e receberam apoio material da China e da União Soviética. Isso não é invenção. Obviamente, ocorreram excessos lamentáveis. Mas tais excessos se deram tanto por parte dos comunistas quanto dos militares. Os comunistas mataram, estupraram, roubaram, sequestraram e explodiram. Por que dos crimes deles ninguém fala? E os poucos que se atrevem a fazê-lo são tratados como escória? Não estou defendendo a Ditadura Militar. Eles deram um golpe sim ao não levar em consideração o apelo da população por eleições em 64 e erraram em muitos pontos. No entanto, meu compromisso é com a verdade. E não existe verdade ancorada em elementos parciais e na negação do contraditório.

As mortes durante a ditadura militar não chegaram a 500. Porém, em Cuba, Fidel matou mais de 100 mil. E foi para implantar esse regime no Brasil que esquerdistas (incluindo a Dilma) pegaram em armas nos anos 60. Assim como não tenho bandidos de estimação, também não tenho ditaduras de estimação.

O coronel Ustra deixou sua versão da história no livro “A verdade sufocada”. A esposa dele, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, em entrevista para a BBC, comentou a fala do deputado. “Acredito que Bolsonaro tem o direito de prestar homenagem a quem ele quiser porque outros deputados homenagearam terroristas, como Marighella e Lamarca, que pregaram durante toda a vida a luta armada, a violência e a separação do país. Se eles têm esse direito, por que o deputado Bolsonaro não tem? O problema é que muita gente usou isso [o discurso de tortura], e continua usando, para se eleger, para conseguir cargos públicos e ganhar indenizações do governo. Não estou dizendo que a ditadura militar foi um mar de rosas. Não foi. Meu marido nunca foi condenado pela Justiça em última instância. O processo está parado. Não há prova nenhuma, só testemunhal. Interessante notar que prova testemunhal serve para considerar meu marido torturador, mas prova testemunhal não serve para condenar os corruptos da Lava Jato.”

Maria Joseíta não é a única que percebe a contradição dessa gente que acusa o Ustra de torturador, mas defende notórios assassinos e terroristas da esquerda. Talvez, por isso, as intenções de voto do parlamentar subiram de 8 para 11%, segundo dados do Ibope, desde aquele domingo. Não paira contra a reputação de Bolsonaro um só escândalo envolvendo desvio de verbas públicas, propinas ou vantagens indevidas de qualquer natureza. Ele foi, inclusive, citado pelo então presidente do STF, Joaquim Barbosa, como o único deputado que não estava ligado ao mensalão. O Ustra certamente é um personagem controverso dessa página da história do Brasil. Se ele era culpado ou inocente, cabe à Justiça decidir. O que não dá para entender é essa indignação seletiva. Afinal, pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Bolsonaro, ditadura, Ustra

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