Golpe: mitos e lendas

Tempos desesperados, medidas desesperadas

04 de Abril de 2016

Sei bem que o que falarei aqui não é novidade para ninguém. A acusação da moda agora é o tal do golpe que membros e $impatizantes do governo afirmam estar em curso no país. A questão é: será mesmo o impeachment um golpe?

Respondo a questão com outras perguntas. Como pode um instrumento previsto pela Constituição em caso de crime de responsabilidade ser golpe? Como pode tal instrumento ter tido seu rito definido pela mais alta Corte do país e ainda sim ser chamado de golpe? Como pode o processo de impeachment ser aceito pelo presidente da Câmara, como é o procedimento nessa situação, ser chamado de golpe? Como pode uma denúncia fundamentada por grandes juristas do Direito e embasada em parecer técnico do Tribunal de Contas da União ser considerada um golpe? Como pode um processo ser julgado pelas duas casas legislativas, com centenas de deputados e dezenas de senadores eleitos pelo povo, e ainda assim esbravejarem por aí: é golpe!

Muitos dirão: mas o Eduardo Cunha não tinha moral para aceitar o processo, em primeiro lugar. Ele é presidente da Câmara e tem prerrogativa para aceitar a denúncia. Se ele é corrupto, santo, corinthiano ou vascaíno, pouco interessa. Quem será julgada agora pelos seus crimes é a presidente da República. Quando for a vez dele, ele também receberá todo o rigor da Lei, de acordo com os dispositivos presentes na Carta Magna. Quem tem bandidos de estimação não somos nós.

Essa conversa fiada é desculpa de quem está desesperado para não perder as benesses que sustentam os que são a favor de tudo isso que aí está. Se impeachment fosse golpe, o certo seria devolver o mandato do Collor, não é mesmo?

O Brasil decente não quer saber de roubalheira nem de sustentar projetos de poder montados por cleptomaníacos vermelhos.

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