Filme queimado

Formiga segue rumo a uma crise política

17 de Fevereiro de 2017

Recentemente, os formiguenses foram surpreendidos com a notícia de que o salário dos vereadores seria reajustado. Dos atuais R$ 6.491,28, o vencimento deles passaria para R$ 6.918,41, um aumento de 6,58%. O autor do projeto tem origem desconhecida e foi colocado em votação pela mesa-diretora da Câmara Municipal de Formiga. O projeto recebeu 7 votos a favor e 2, contra. A presidente da Casa, Wilse Marques de Faria, só se manifesta em caso de empate. O fato revoltou a população e parte dela foi expor sua insatisfação nas redes sociais.

O que não ajudou em nada a acalmar os ânimos foi a celeridade com que o projeto foi deliberado pelo prefeito Eugênio Vilela/PP. Em menos de 24 horas após protocolado na Prefeitura, ele foi sancionado. Isso foi como jogar gasolina no incêndio e trouxe o Executivo, que já sofre duras críticas de parte da população, para o ringue. A situação de Eugênio diante desse caso é o que minha avó costumava chamar de camisa de 7 varas. Se ele veta o aumento, entra em crise com o Legislativo e pode ver todas as suas propostas barradas na Câmara em retaliação. Se ele sanciona, agrada o Legislativo, pode ver suas pautas prosperarem, mas entra em conflito com seu eleitorado. Diante disso, o que fazer?

Bom, com duas opções ruins, o ideal seria escolher a “menos pior”, certo? Porém, qual seria ela? Muitos políticos, embevecidos pela imagem que tem de si mesmos quando se veem cercados pelos mimos do puxa-saquismo oficial, se esquecem de um pequeno detalhe. O poder político é legitimado pela opinião pública. Sem o apoio da massa, qualquer canetada perde efeito e pode se transformar em uma arma que atinge e conduz muita gente para uma morte política prematura. O prefeito preferiu a primeira e então me lembrou uma frase bíblica, de 1 Coríntios 6:12, que resume muito bem a situação: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.” O reajuste pode ser legal, mas é imoral em tempos de economia em recuperação e milhões de desempregados. Quando você avaliza uma proposta, dá respaldo a ela.

Apostar no “esquecimento” da população em plena era de WhatsApp e Facebook é de um amadorismo político capaz de deixar qualquer um chorando à noite. Não vai acontecer. Esse foi apenas o estopim para uma crise política que está apenas começando e que, de qualquer cenário que se analise, não vai terminar bem para nenhum dos dois poderes. Melhor para a população.

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