Em nome do politicamente correto, cinema retira 'E o vento levou' da programação

Cinema considerou racista um dos maiores clássicos de Hollywood

29 de Agosto de 2017

O cinema Orpheum, situado em Memphis, nos Estados Unidos, decidiu cancelar a exibição de um dos maiores clássicos da década de ouro de Hollywood: “E o vento levou”. O motivo? A produção ambientada durante a Guerra de Secessão, que dividiu nortistas e sulistas, foi considerada racista.

Como a cidade é composta por maioria negra (64% da população), a empresa acredita que o longametragem dos anos 40 poderia ferir suscetibilidades e quis evitar propagar estereótipos subservientes em relação a essa parcela dos moradores. “O Orpheum agradece os comentários de seus membros sobre a programação. Nossa organização tem a missão de divertir, educar e esclarecer a comunidade, e não pode mostrar um filme insensível a grande parte da população local”, afirmou a empresa em comunicado divulgado à imprensa.

Hipocrisia

Não é de hoje que o politicamente correto impera no meio cultural americano. Antes fosse só nesse. Enquanto a Hollywood do início do século passado retratava os conflitos humanos e exibia os acontecimentos históricos livremente, os estúdios da atual Califórnia exibem produções completamente divorciadas da realidade e apelam para o sentimentalismo barato em busca de lucro e aceitação. Tudo só por interesse financeiro? Claro que não. É público, notório e histórico que o cinema é uma ferramenta amplamente usada para difundir valores e ideologias.

Diferentemente do Brasil, onde “brancos” e negros convivem em perfeita harmonia, a segregação americana se tornou uma constante durante muitas décadas. Essa animosidade foi recíproca, mas certamente causou muito mais vítimas do lado dos descendentes de escravos.

O ápice da violência contra os negros, se não levarmos em consideração os horrores da escravidão, foi a criação de um grupo que os perseguia e matava: a Ku Klux Klan, formada em sua maioria por pessoas ligadas ao Partido Democrata. É no mínimo curioso que a corrente política e ideológica de muito artista que estrela, e de muito estúdio hollywoodiano que banca, seja a de um partido flagrantemente associado a esse grupo racista de extermínio.

Ações como a do cinema de Memphis só servem para estimular a divisão de classes. Convenientemente, a empresa se esqueceu de mencionar que o primeiro negro a receber um Oscar foi a atriz Hattie McDaniel, premiada como “Melhor Atriz Coadjuvante” por seu papel em “E o vento levou”, justamente o filme desprezado pelos poucos que acreditam ter o direito de julgar o que pode ou não ser visto pelos outros.

O interessante é que foi só o presidente Donald Trump assumir que, de repente, brigas e movimentos supremacistas viraram rotina na América do Norte. A questão é: será que essa violência realmente é um movimento espontâneo de malucos armados ou há alguém fomentando a discórdia e, por que não?, bancando o desastre? Não seria a primeira vez e não será a última que o povo americano é usado como peça de xadrez em um jogo cujos adversários e intenções a maioria só pode especular.

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