Discurso de ódio

Movimentos sociais financiados pelo governo picham prédio onde mora o senador Antônio Anastasia, relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff

02 de Maio de 2016

“Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Essa máxima é atribuída a Lênin e descreve claramente o caráter, senão da maioria, de grande parte dos petistas. Prova disso são as inúmeras acusações que eles fazem a todos que são contrários à continuidade do mandato da presidente Dilma Rousseff/PT. Golpistas, fascistas, nazistas e oportunistas são apenas algumas delas. A vítima mais recente dessas infâmias foi o senador Antônio Anastasia/PSDB.

Na manhã de ontem, o prédio onde ele reside, em Belo Horizonte, foi pichado com os dizeres “Anastasia Golpista” e “PSDB Golpista”. O edifício está situado no Bairro de Lourdes, na região Centro-Sul da capital. A suspeita da Polícia Militar é de que a ação foi promovida por movimentos sociais. O ato seria uma retaliação à posição de Anastasia como relator da comissão especial do impeachment. O governo e sua base aliada eram contra a indicação do senador mineiro, eleito pela maioria do plenário da comissão.

Segundo os militares, cerca de 50 pessoas com bandeiras e faixas vermelhas estavam nas imediações do prédio, mas ninguém foi preso. Assim que a PM chegou ao local, os militantes se dispersaram e foram em direção à Praça da Liberdade, que era palco de um ato contra o impedimento da presidente.

De acordo com o artigo 65, da Legislação Penal, “pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano” é crime passível de detenção, de três meses a um ano, e multa. Como os valentes convenientemente deixaram a cena do crime, eles não irão responder na Justiça pelos seus atos.

Não tenho simpatias pelo PSDB, apesar de o partido contar com nomes de relevo na política nacional. Se não fosse a oposição fraca e a decisiva atuação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para evitar o impeachment do Lula em 2005, muito sofrimento teria sido poupado à população brasileira. Ele foi cúmplice moral de tudo isso que aí está. No entanto, estar do outro lado do jogo político não dá salvo conduto para que os que os militantes a soldo do governo saiam por aí rasgando a lei e inviabilizando a ordem.

Basta observar o método de protesto deles para perceber que, quando eles xingam e acusam o oponente, estão apenas retratando as características e ações que eles mesmos possuem e praticam. O discurso de ódio existe sim, mas não parte de quem eles acusam, parte deles próprios. Para felicidade geral da nação, essa gente não engana mais ninguém.

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